quarta-feira, 6 de março de 2013

Desejo


Beijo o desejo,
abraço-o, mordo-o…
Amo-o…
Fico tão louco pelo desejo.
Esgoto o desejo ao zero.
Perco o desejo.
Quero outro desejo.
Um corpo formoso, um novo carro…
Só quero outro desejo,
só quero outro desejo…
Sugo o novo desejo.
Fico sozinho,
sem o desejo
e fico tão cansado, tão esgotado, tão desesperado…
Sofrimento, sofrimento e sofrimento…
No entanto, procuro outro desejo.
Procuro um filósofo, um templo…
Mas fico farto…
Já não sei o que quero.
Novamente estou tão esgotado, tão cansado, tão desesperado…
Sou como um fantasma faminto.
Sofrimento, sofrimento e sofrimento…
E agora só desejo não ter mais nenhum desejo.
Mas como ainda tenho este último desejo,
continuo agarrado ao sofrimento.
Num último impulso,
procuro
o que tem o desejo,
este gajo.
Mas fico desesperado,
não encontro nenhum eu,
não me encontro a mim mesmo…
Vou até ao fundo do poço
e penso que estou quase morto…
Então incondicionalmente
entrego-me ao destino…
E subitamente como um relâmpago,
tenho uma nova visão de todo o universo…
Agora sou mais livre que o pássaro,
sou o próprio espaço aberto, vasto e ilimitado
a onde voa o pássaro…